Em minha cidade existe um exímio apresentado de TV. Além de exímio e sensível apre$entador, é também um profícuo prefeito da cidade vizinha, Bayeux. Um lugar estruturalmente, fisicamente pior que o meu. Na verdade não se compara. O prefeito da minha cidade se preocupa mais com a aparência da mesma, do que a sua própria.  Bem, mas escrevo isto para fazer uma homenagem ao gênio da comunicação e da administração: J. Júnior. Apesar de ser um relativo concorrente do meu pai, e apesar do primeiro nome ser idêntico ao do meu pai, não é por isso que escrevo este post.  Quem mora na dinâmica cidade de João Pessoa tem sempre o privilégio de almoçar assistindo o programa do J. Júnior. Um programa sensível, humanista, que se preocupa com o bem estar das pessoas, além de pensar muito bem em como tornar o almoço dos trabalhadores do centro da cidade mais prazeroso.

Lembro-me de uma certa vez que estava almoçando após chegar do colégio onde cursava o E.M. … a tarde se iniciava ensolarada, com os passarinhos cantando loucamente no jardim da minha casa. Como é de praxe, minha mãe liga a televisão de 29” – especifico o tamnho da TV porque ela está diratamente ligada ao tamanho do meu conforto.  De forma natural ela coloca no programa do Senhor Prefeito Apresentador de TV e Escroto, J. Júnior.  Entre algumas milhares de milhões de propagandas de toalha de banho, arroz, loja de informática e um radar que segue seu carro até no abismo das Marianas, eis que o excelentíssimo nos apresenta um fato do dia-a-dia!: “Rapaz é morto, decapitado e tem sua cabeça usada num jogo de futebol. Seu corpo foi encontrado numa lata de lixo.”. Que surpresa agradável ouvir isto na hora do almoço, sentado à mesa junto à família. Seria somente agradável se ele se limitasse apenas ao anúncio do acontecido… Mas J. Júnior é um homem verdadeiro! Austero, gosta da verdade nua e crua, sem frescuras. Ele segue: “Veja as imagens”.  Bem, não sei se preciso descrever o que vi em tela grande. Mas sei que a comida que estava a mastigar no momento, simplesmente se recusou a seguir seu caminho e me obrigou a bota-la para fora. Ah!, como J. Júnior faz a hora do almoço mais feliz! Saibam vocês que ele é muito elogiado como prefeito de Bayeux. As mil últimas (foram mais, mas minha memória é curta) críticas positivas que ouvi sobre J. Júnior ficam resumidamente bem escrita na expressão: “Filho da puta ladrão!”. Os últimos programas de denúncia veiculados no rádio e na tv que ouvi/assisti, tinham ouvintes e espectadores ligando loucamente falando da boa administração do prefeito, que chega de helicoptéro para não enfrentar os buracos de sua cidade dos sonhos, Bayeux. Sim, cidade dos sonhos. Apesar do nome, é um pouco diferente – ou não – da cidade de Lynch. Quem não queria ter uma cidade que lhe enche o bolso de reais todos os meses? Te dá helicoptéros, carros de luxo, pousadas etc… yeahh… dream city!

enfim, para finalizar meu elogio, dedico-lhe uma música que certamente foi pensada no Excelentíssimo J. Júnior:

Mente Pertubada

(D.F.C.)

Caminhando pela noite
Sem saber pra onde ir
A violência te espera
Você não tem como fugir

Sua Mente está cansada
Não consegue mais pensar
Sua vida sem sentido
Ninguém vai te ajudar
Olhe para o seu lado
Sinta o ódio aparecer
Crimes, morte e desespero
São consolos pra você
Adrenalina está pulsando
Você não tem como escapar
Nem um tiro na cabeça
Nem drogas pra te ajudar
VOCÊ NÃO CONSEGUE RACIOCINAR
POIS O SEU CÉREBRO JÁ DERRETEU!

pra quem tá afim de ouvir, download da música aqui.

…de um espectador feliz com a sua mídia local que luta contra a violência dia-a-dia.

A existência humana se processa como música harmônica tonal: introdução; desenvolvimento do tema; as elevações intensas e marcantes. Mas ela possui também a imprevisibilidade da música aleatória atonal: o fim nunca se anuncia, como uma morte súbita. embora neste último tipo de música exista uma aparente desarmonia, esta desarmonia só se sustenta na aparência, na forma que é percebida pelo ouvinte. na música aleatória há uma harmonia interna, uma coerência lógica fechada que é causa de uma aparência confusa. nascemos, crescemos, construimos e adquirimos desejos, lutamos pelas realizações, vivenciamos, envelhecemos e morremos; deveria ser sempre assim – como numa música tonal harmônica, onde todas suas partes são previstas-, mas no meio desse percurso, existem acidentes; os acasos; o imprevisível é previsível em qualquer segundo. embora estejamos sempre tentando fugir dos acasos, eles são condição para a nossa existência – como num música aleatória atonal: a condição para este tipo de música se sustentar é a sua construção e desenvolvimento aleatório: o acaso está sempre construindo a música. numa música aleatória não há  uma percepção encantadoramente harmônica como há na música tradicional. a música harmônica é, por alegoria, uma representação das nossas idealizações; das nossas projeções de vida ideal, tranquila. a música aleatória é, por alegoria, a representação daquilo que é material, real, pois é construída através do acaso… não escolhemos nossos pais, nosso país, nosso planeta; não podemos garantir com segurança a nossa existência no próximo segundo, só podemos idealizar como ela será, pois cada segundo oferece tempo e espaço suficiente para algum acontecimento estranho feliz ou triste. o acaso é parte insistente do nosso dia-a-dia.

ventos de um deserto onírico…
Ventos sutis balançam seus cachos
Correm por sua pele clara e macia
Alisam sua boca delicadamente,
Como um suave beijo.
A moça em pé num deserto às escuras
Não percebe de onde vêm os ventos
E os esquece.
Ela está a esperar… Espera,
A ilusão que nunca vem
Que a abandona no deserto e, no escuro,
Não a deixa enxergar de onde os ventos vêm.

Ventos sutis balançam seus cachos

Correm por sua pele clara e macia

Alisam sua boca delicadamente,

Como um suave beijo.


A moça em pé num deserto às escuras

Não percebe de onde vêm os ventos

E os esquece.


Ela está a esperar… Espera,

A ilusão que nunca vem

Que a abandona no deserto e, no escuro,

Não a deixa enxergar de onde os ventos vêm.

Imaginary Landscapes

Imaginary Landscapes

Eu penso que a melhor explicação sonora para a bela harmonia da natureza se encontra em J.S. Bach. A explicação para imprevisibilidades dos indivíduos, para o estado caótico da sociedade e suas movimentações auto-destrutivas está, alegaoricamente, nas músicas de John Cage. K. Stockhausen. Maurício Kagel. Walter Smetak. Revolucionários, criadores críticos de sons e formas sonoras.

Jonh Cage

Imaginary Landscapes

1 - Imaginary Landscape No. 1, for 2 variable speed turntables, frequency records, muted piano & cymbal 8:45
2 – Imaginary Landscape No. 2, for 5 percussionists 6:35
3 – Imaginary Landscape No. 3, for 6 percussionists 3:05
4 – Imaginary Landscape No. 4, for 12 radios, 24 players & conductor (March No. 2) 5:00
5 – Imaginary Landscape No. 5, for any 42 recordings, to be realized on tape 1:31
6 – But What About the Noise…, for percussion ensemble of 3-10 players 26:00

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qual é o sentido copy 2

“Estou doente em cima de uma cama.
Um corvo na janela grita:
Qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido.”

R. Skylab

qual é o sentido1 copy

Bersarin Quartett

Bersarin Quartett

Bersarin Quartett

Bersarin Quartett

2008

Tracklist
01 Oktober
02 Geschichten von Interesse
03 Inversion
04 St. Petersburg
05 Und die Welt steht still
06 Die Dinge sind nie so wie sie sind
07 Nachtblind
08 Es kann nicht ewig Winter sein
09 Endlich am Ziel
10 Mehr als alles andere

Senha: SirensSound.blogspot.com

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Musique du Crépuscule

Musique du Crépuscule

Les Fragments de la Nuit

Musique du Crépuscule

2008

Tracklist:


01. Eveil des fées 
02. Assault 
03. La ronde des fées 
04. Entre ciel et fer 
05. Devenons demain I 
06. Devenons demain II 
07. Solitude 
08. Solarisation 
09. La chambre des fées 
10. Soleils noirs pour lune blanche 
11. La mélodie de la tête 
12. Le château enchanté 
13. Le scarabée bleu 
14. Soleils noirs pour lune blanche – Tango 
15. Les eaux dormantes 
16. Alpha du centaure 

 

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senha: SirensSound.blogspot.com

 

Man With A Movie Camera

Man With A Movie Camera

The Cinematic Orchestra 

 Man With A Movie Camera

2003

Tracklist:

1. The Projectionist
2. Melody
3. Dawn
4. The Awakening of a Woman
5. Reel Life (Evolution II)
6. Postlude
7. Evolution (Versao Portuense)
8. Work It! (Man With the Movie Camera)
9. Voyage
10. Odessa
11. Theme De Yoyo
12. The Magician
13. Theme Reprise
14. Yoyo Waltz
15. Drunken Tune
16. The Animated Tripod
17. All Things

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