Sobre a tragédia, escritos da militância (2012)

Sinfonia Desconcertante no. 1

Movimento no.1 – Allegrissimo!

Canto I: A aleatoriedade do pensamento.

A fugacidade da retórica.

O esquecimento demonstra-se pela imprecisão epistemológica.

 

Movimento no. 2 – Alegro ma non troppo

Canto II: O cansaço da fala.

O caos discursivo retorna à seu influxo.

A aleatoriedade do pensamento encontra-se com o discurso organizado.

 

Movimento no. 3 – Grave

Canto III: Poesia em frequências baixas.

A rouquidão se apresenta.

O enfraquecimento desafinado.

 

Movimento no. 4 – Lento misterioso

Canto IV: O silêncio.

O Pensamento.

O Espírito.

 

 

Concerto sem no. para desvida.

 

Movimento no 1. – Lentíssimo

O Sono.

O Pesadelo: esquecimento.

O grito do sonho, a respiração ofegante.

 

  Movimento no. 2 – Largo sveglio mas non troppo

Cansaço do sonhar.

O grito deixa rouco a voz.

O vício irrita o nariz.

 

Movimento no. 3  Trevas andante.

O labirinto.

Tentativa de fuga de mágoas, angústias e dúvidas.

 

O amor.

Por favor, não sinta dor, meu amor…

Quero-te sem desfazer-me.

Desfazendo-me ando até ti,

enlouqueço com ciúmes descabidos: é companheiro, irmão!

 

Movimento no. 4 – Memoria vivace.

Perdão.

Sem razão, sinto.

Nunca! Menti.

Sincero fui: com o instante, o momento: regresso do esquecimento.

Perdão. Sou desamado pela minha microhistória, desconcertado pela minha família, viciado pela dor. O pior dos vícios: o autoincômodo.

 

Movimento no. 5 – Allegro deciso

Vida.

Amor.

Paixão.

Revolução.

Amigos, companheiros.

Vida com ida para solução,

para a voz da razão,

para expressão do coração.

Falar! Chamar: Ei, eu te amo!

Gritar: Estou aqui! Liberdade, Liberdade!

 

 

 

Sinfonia no. 1 – A militância.

 

Movimento no. 1 Presto con fuoco

Inicia-se a potência última do ser.

Barreiras? Desestruturação do sistema.

Que esquema? Comunismo, anarquismo?

Um só: Revolução feita por baixo.

História: pela minha liberdade, pela liberdade dos trabalhadores.

 

Movimento no. 2 Allegro con brio

A vida torna-se um sonho calejante de mãos.

O caminho mostra-se claro: o trabalho.

A técnica mostra-se sua precisão instrumental: o conhecimento.

 

Movimento no. 3 Andantino paciente

Junto aos meu companheiros, sinto-me seguro.

Passos sincronizados com revolucionários, sinto-me livre.

Desconcertos do pensamento e desafinações do canto:

com meus Irmãos, sinto-me acolhido compreendido.

 

Movimento no. 4 Allegríssimo Kamaradas con bravura!

Juntos venceremos!

Juntos caminharemos!

Transformei-me, a revolução de si

completa-se.

 

Movimento no. 5 Abbraccio affetuoso.

Desculpem-me a distância e o silêncio.

Agradeço a atenção, a cumplicidade,

o amor, o carinho, o abraço desajeitado do amanhecer.

 

Sinfonia Única

Movimento constante

Ao lado de vocês.

Esquecimento (2011)

Onde a ciencia não alcança, a filosofia alcança; o que a filosofia não explica, a poesia explica.

O que nem filosofia e a poesia entende, a religião preenche a lacuna.

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O futuro de uma ilusão

“Finalmente, faz-se sentir o fato curioso de que, em geral, as pessoas experimentam seu presente de alguma forma ingênua, por assim dizer, sem serem capazes de fazer uma estimativa sobre seu conteúdo; têm primeiro de se colocar a certa distância dele: isto é, o presente tem de ser tornar o passado para que possa produzir pontos de observação, a partir dos quais elas julguem o futuro. “

(S. Frued, p. 15. O futuro de uma ilusão. 2ª ed. RJ, Imago)

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Não precisa saber para ser; basta apenas ser.

mas saber dá segurança de ser

eis quando o homem se torna arrogante e,

                    [pela racionalização obejetiva da vida

                                         nos tornamos insensíveis.

 

Humanos

                [no núcleo da contradição da razão

lrracionais e, por vezes, cruéis.

 

Não quero estar cego às emoções

Nem quero ser escravo do presente.

Quero somente ser seguro de minha existência.

 

Sei que posso, pois sou humano.

Sei que não alcanço por ser homo sapiens.

Sei que amo o que sinto porque não sei de mim e

torno-me ingênuo e esqueço de fingir.

E apenas sou, ingênuo de minha razão [subjetiva],

seguro de minha existência.

 

Nâo gosto de comparações

Porque, quando críticas, mostram quem devemos ser.

Quando penso no meu pré-destino

Dói-me o cansaço às costas pelo fardo

de que preciso sobreviver como.

 

O mercado de trabalho!

Não sou coisa, sou humano!

Não quero sobreviver. Estes que assim resumem a vida

São animais sem consciência de sua humanidade.

E estou certo que tenho humanidade.

 

Viver é agir pelo o que motiva,

Pela fluidez do pensar-sentir.

Viver não é ter-que-ser,

É, apenas[pesquisar sinônimo]

ser…

 

Um vir-à-ser o que sente-pensa (ou, se é político, pensa-sente)

(in) constante

E isto não é fenômeno das coisas

é ser livre e humano.

[ ser livre e sensível na lógica política vigente é materialmente impossível, se se quer conquistar singularidade própria; se não, submetermos –nos-ia à lógica do capital na dinâmica da democracia representativa ou reprodutores d’uma ideologia partidária, que por mais restrito que fosse, não daria para ser singular e político eficiente ao mesmo tempo, caso contrário, nunca seremos completamente sinceros com os outros.]
            

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Quando o que pensamos, no corpo

Dói ou alivia

Somos verdadeiros consigo

e com os outros.

 

E pela dor ou paixão

pelo o que pensamos e desejamos

Nos tornamos poetas

 

Escravos da consciência

Sem admirar o espontâneo

Da inocência.

(remeteu-me a Cibele, bela mulher que inspira ser-espontâneo.)

Ela vive

Ser-menina, mas consciente de si

Racionaliza o desejo

E é sincera

                           [com sua sensibilidade e percepção

E é bela.

 

Quando consciente de seu poder de atração

Finge. Finge ser o que não é

Para ser como gostaria de ser olhada

 

Não pelo ‘olhar do imbecil machista

Mas do homem que aprimora sua libido,

que faz do seu membro cinzel

para esculpir orgasmo em corpos

De belas mulheres.

 

Agora penso nela sem culpa,

Distante de qualquer cristianismo que respeito.

Certas cristãs são admiráveis, mas doam seu

Espírito à Deus.

 

Penso em deus, mas amo meu espírito.

E penso porque amo

Pois se não amasse

Já teria experimentado à morte.

 

Aprendi com a razão do sofrimento

Que espírito se confunde com corpo

Quando este tem vida.

 

Não tenho medo da morte

E a experiência da meta-morte

Deixo para o acaso.

 

No imprevisível,

Não há lugar mais apropriado

Para experimentar a morte.

 

Agora retorno…

À pensar na bela mulher

Que outrora me inspirou o

Mais sincero discurso poético.

 

Esta revelou-me um instante do meu ser

Que só agora tomo consciência,

E compreendo a dinâmica do

Devir espontâneo

e da poesia feita de semi-razão.

 

Pois ser poeta completamente consciente de si

É se tornar insensível, prolixo e fútil.

Se é completamente instinto

Perde-se consciência e

Esquece que felecidade

é vida e sonho

 

De ser poeta sem saber que é

Pois se soubesse, não seria sonho

Mas trabalho.

 

Não quero da poesia o trabalho

Mas alívio de ser eu mesmo

Sem me importar com o futuro,

 

A palavra poesia ou o conceito

Não deveria existir.

Porque ser poeta não se descreve

Nem se disserta sobre.

Poesia é existir como se sente

Não é lugar para que os outros

Nos encaixem,

Mas é o lugar da destensão

Do alívio da alma

e do corpo.

 

Se isto me faz velho e revelo minhas fraquezas

Sou velho e fraco,

                                        [mas só para os outros em meu discurso

 

O fato é que não sou velho e fraco

Tenho duas décadas de existência

Mas elaboro mais pensamento que minha juventude.

 

Às vezes temo cair no lixo da arrogância

Mas arrisco dizer

Que sou o mais consciente da juventude

Que vive nesta moderna província.

Já me colocaram num lugar de líder.

E não quero ser um líder solitário
preso em si.

Quero compartilhar lideranças

Não de grupos ou partidos
Mas da própria vida que pesa-me demais e

que alivio a dor que vivo

quando sou  compreendido.

 

Não se cuida

          completamente dos outros e com sinceridade

Se não nos doarmos completamente.

Não se cuida de vida sem vida.

Dor que dói no corpo
                                     [dos outros
só se cura

Com dor que dói no espírito
                                      [em mim.

E espírito é corpo e corpo é vida.

 

Se fizermos isto,

Esquecermos de si ao cuidar do outro
A ação se torna autodestrutiva

Psíquica ou corporal.

Ou nos cristianizamos no

Contemporâneo catolicismo imbecil

Nos  tornando vagos altruístas do capital.

 

Às vezes sinto que sou cristão, mas agora

Já mais maduro de mim

Sei que o que sinto é humanidade

Semelhante ao antigo cristão

Que só teve uma vida e morreu na cruz.

Não se repete o passado e a palavra nos chega

Atrasada.

                                                        [E nem quero ser profeta do presente-futuro.

O Profeta falou do que não sabia e pensou saber.
Mas às vezes

sabia tanto

Que homens e mulheres do presente-tempo

Não entendiam nada
E  condenaram-no ao sacrifício.

 

Porque o Messias,

Confundiu poesia, filosofia

E religião.
E pela confusão,

não deixou claro em seu discurso
Impedindo a compreensão

daqueles que o escutava.

Fizeram do Messias um santo louco,

                               [E não perceberam um revolucionário no caminho de Deus

deixando o reconhecimento de sua

Grandeza para o futuro distante…

do presente-vivo.

Nunca um louco ficou tão conhecido na Terra
Como Jesus Cristo
E até hoje pela imperfeição humana
Vivemos sob o poder de sua palavra
Cujo o som se perdeu na matéria do espaço-tempo

Restando apenas pensamento vago

Da escrita enviezada pela história dos homens e

Da palavra que morreu com Cristo na cruz.]

 

Palavra atrasada é reflexo d’um passado

Distante e inverificável.

Sou materialista porque preciso de vida para saber

e não d’um passado morto,

Datado no tempo e distante da subjetividade vigente.

 

(19/08 – 3:42)

Se para ser não basta saber,

Saber é condição para a tranquilidade e

Quem neste mundo não se encontra

No pensamento de outros mundos vive

uma possibilidade

De no sonho ser

Aquilo que motiva viver.

 

Compreendo que estar bem consigo

É dialogar

Com a imagem ideal que criamos com o pensamento

De nós mesmos.

 

Se no instante da rossância de nossa voz em nossa mente

O lugar do sono calmo encontrarmos

Seremos livres e profundos nos mais distante dos sonhos

deste mundo.

 

A felecidade que no tecido da existência

Não é transpassada pela fibra da tranquilidade

Será falsa e frágil

E a  plenitude não encontraremos.

 

Ser inventor da própria metafísica

Não é ser diabo de si, criador da própria prisão

Mas é afirmação do que fundamentamos ser.

Sou rei de minhas premissas e as justifico

Com citações e experiências aquilo que me dá certeza

Do lugar que quero alcançar.

Se na batalha das idéias achar-me motivado

De lá na fugirei. E serei espaçoso, como minhas idéias
São.
Na conquista do lugar que reconheço ótimo para mim
Afirmarei minha existência e solidificarei com teses, livrando-me
de pensadores falsos com a vida.

 

Sob o rugido das sandálias (20 de agosto de 2011)

Andavam, sem saber, por onde ser e pisar os pés

Viam as luzes embaciadas dos carros  e postes, como que na mão contra

Por vezes, debruçavam-se sob as vozes

Por vezes, detalhavam-se sob as sandálias, inquietas, que rugiam como que aflitas a chegar em destino indestinado

 

Dia-riamente, vinha a menina-diária a arrumar quem se encontrava assim

Encontrava o pensamento do menino jogado por lá; outrora jogado por cá

Catava as inquietações, tristezas e agonias

Não tinha jeito; jogava-os no lixo, mas estes insistiam

Ps.: Escrito com a colaboração de Isa Paula.

Indiscrição da fala

Enlouqueci quando estive a pensar…
A sombra, vazia de face, entardeceu minha razão,
anoiteceu minha visão e fico cego como um morcego sob o sol.

Por que a loucura impede a fluidez da fala
como quando uma barragem inunda o pensamento,
esquecendo de alimentar seus rios-falas afluentes?
(enchente obscura do pensamento.)

Solilóquio hiperdimensional

No espaço do pensamento as regiões inócuas de sentido
(Brainstorm!)
constróem-se em mutilversa substância
de solilóquios sinápticos que arquitetam dimensões oníricas para o espírito.

A hiperdimensionalidade de cada palavra
difunde a consciência na inexistência
da matéria.

Um esquecer de-si tão estranho,
que empobrece o corpo simulando doenças…

Falseabilidades poéticas engrandecem
Sentenças! [de morte da lírica…

Hiperbólicos pensamentos entristecem a ação prática e,
à noite só matéria sem razão
na hiperdimensionallidade da vontade.

Teologia materialista

Na embriaguez do sonho pela liberdade…
Neste instante enturveço o materialismo pragmático:

Quem sentenciou que materialistas não podem sonhar?
Nosso movimento no espaço geográfico se assemelha
ao movimento dos eletróns dentro do Princípio da Incerteza:
ávidos por jazz!

Somos o caos da ordem!
À caminho da revolução
Desterritorializamos
nosso ser.

Na materialização da libertação
Tornamos o desejo cosmopolita
vivenciando humanidade.

Influxo

Na incerteza do sentido…
a existência intronavega
por torrentes intensas de atividade
cerebral nervosa.

Em sucessivas explosões sinápticas
cada esquina do pensamento força
uma nova solução existencial para
resolver isto que chamamos de vita!

O princípio para novas saídas é
tão incerta quanto a razão-guia
caotizante do sistema capitalista.

Encontramos a velocidade, mas não a direção!
Encontramos a direção e nos perdemos na corrida
pelo capital…

Esta dialética insana supressora de vida,
desarmoniza nosso compasso,
dessincroniza nosso pensamento…

Dodecafônicas falas sem sentido,
pragmatismo do caos sistêmico…
o Capital é insistente: – Enlouquecer-te-ei, maldito!